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ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL JENIPABU E RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL ESTADUAL PONTA DO TUBARÃO (RN): UMA ANÁLISE DO PROCESSO HISTÓRICO SOB A ÉGIDE DA SOCIEDADE DE CONSUMO

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Author(s): Artemísia dos Santos Soares | Francisco Fransualdo de Azevedo

Journal: Revista Brasileira de Ecoturismo
ISSN 1983-9391

Volume: 4;
Issue: 4;
Date: 2011;
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ABSTRACT
O ecoturismo, face às demandas e discussões ambientais, tem alcançado proeminência no mercado turístico e amplo crescimento mundial, ensejando uma preocupação quanto à necessidade de um aprofundamento científico através de uma abordagem crítica das dinâmicas de consumo e conservação que permeiam essa prática. Este estudo tem o objetivo de analisar o processo histórico de criação das Unidades de Conservação (UCs) de uso sustentável Área de Proteção Ambiental Jenipabu (APAJ) e Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual Ponta do Tubarão (RDSEPT) sob a égide da sociedade de consumo, nas quais ocorre a prática do ecoturismo. A pesquisa buscou averiguar as relações entre conservação e consumo e suas influências para a criação das UCs de uso sustentável selecionadas para este estudo. Para tanto se teve como percurso metodológico uma abordagem qualitativa sob uma perspectiva crítica, baseada em pesquisa bibliográfica e documental e realização de entrevistas semi-estruturadas com três grupos de atores, a saber: gestores/técnicos, comunidade e ecoturistas envolvidos com o ecoturismo nas UCs selecionadas. O estudo foi realizado a partir de duas unidades de análise basilares (consumo e conservação) e doze categorias. Para a definição das unidades de análise e categorias foram tomados como referência os autores Santos (1987; 1988; 1994; 2001; 2006), Guerreiro Ramos (1989) e A. B. Rodrigues (1996; 2003), que realizam crítica à sociedade do consumo e descrevem as principais características do meio técnico-científico-informacional predominante; e Diegues (1998; 2000), A. B. Rodrigues (2001), Pires (2002) e Neiman e Rabinovici (2010), que discorrem histórica e cientificamente acerca da ênfase na conservação constante nas origens e no discurso do ecoturismo, descrevendo também suas características fundantes. Os principais resultados revelam que a criação da APAJ foi movida por uma intencionalidade mercantil gerada por uma atividade turística massificada presente na área e no seu entorno, gerada como um consumo de moda e vastamente midiatizado. Unido a este processo se constata uma preocupação com o desenvolvimento e observância aos instrumentos de organização territorial norteadores do seu uso e suas limitações em subordinação a uma intencionalidade simbólica de conservação e sustentabilidade das atividades socioeconômicas da população. Todavia, não há o devido envolvimento da população autóctone neste processo, inviabilizando o desenvolvimento de uma consciência ambiental verazmente conservacionista. Já a criação da RDSEPT, apesar de ter também como pressuposto para criação uma pressão mercadológica de atividades econômicas que visavam ali se instalar, tais pressões geraram reações distintas das encontradas na história da APAJ. Pode-se indicar como um dos fatores principais a atuação direta da população autóctone para a efetivação de uma educação ambiental através dos encontros ecológicos e outras práticas, gerando com isso uma conscientização ambiental e de pertencimento ao lugar, subordinando o desejo da criação do RDSEPT a uma intencionalidade simbólica de conservação e continuidade e, para isto, buscando o desenvolvimento e a observância aos instrumentos de organização territorial norteadores do seu uso e suas limitações como regra geral de convivência. Palavras-chave: Consumo; Conservação; Unidades de Conservação.
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