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Ecoturismo e (Des)Educação Ambiental

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Author(s): Euler Sandeville Junior | Flávia Tiemi Suguimoto

Journal: Revista Brasileira de Ecoturismo
ISSN 1983-9391

Volume: 3;
Issue: 1;
Date: 2010;
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ABSTRACT
Este trabalho decorre de observações em locais de ecoturismo (no interior do Estado de São Paulo) e de discussões anteriores dos autores sobre a forma de se pensar e se fazer o turismo na natureza. Essas pesquisas, juntamente com uma bibliografia atual sobre o tema, permitem questionar se os formatos padronizados no segmento podem ainda favorecer, ou em que medida, a formação de uma consciência ambiental. Ou seja, o ecoturismo, como se constitui, não estará contribuindo para uma idéia fantasiosa de consciência ambiental? O contato com a natureza é um grande estímulo à sensibilização sobre o ambiente e à sua conservação, mas existe um espaço a preencher entre essa sensibilização e a Educação Ambiental. O grande desafio se encontra em conseguir transformar essa sensibilização em educação e, consequentemente, em ações afetivas e efetivas. No entanto, a relação entre Educação Ambiental e o ecoturismo, que seria esperada como integrante desse segmento se aceitarmos as diversas definições e entendimentos para essa atividade, na prática, tem apresentado problemas que comprometem o próprio alcance da idéia de ecoturismo. Essas dificuldades têm sido apontadas tanto no âmbito acadêmico quanto no empresarial. Existem estudos recentes que identificam esse problema e procuram construir uma interpretação. Trazer os impasses à discussão é o grande mérito desses trabalhos, contribuindo para desmistificar a atividade. O entendimento da questão, contudo, deverá relacionar os problemas já apontados com quadros sociais nos quais se constituem. A questão tem sido reduzida a uma crítica (necessária) da espetacularização da sociedade de consumo, ou creditada a uma deficiência de conhecimento técnico e de falta de capacitação do setor para lidar adequadamente com essa integração entre ecoturismo e Educação Ambiental (o que certamente ocorre). A dificuldade, entretanto, não pode ser creditada apenas ao ecoturismo, e ao comportamento do turista ou do empresário, e nem mesmo aos impasses nas práticas de Educação Ambiental (estes não têm sido considerados nos trabalhos que consultamos). O arcabouço das práticas e suas referências empíricas e teóricas precisa ser trazido para a discussão da realidade social em que se dão, inclusive em seus aspectos estruturais, culturais e afetivos, o que poderá mostrar contradições importantes e mais profundas do que aquelas já indicadas acima. A não percepção dessas relações gera reducionismos que condenarão as soluções apresentadas a apenas renovar as dificuldades e a não colocar plenamente em cheque as suas causas.
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