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Humanidades na formação médica: realidade ou farsa? / Humanities in medical training: reality or scam?

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Author(s): Clara Costa Oliveira

Journal: Reflexão & Ação
ISSN 0103-8842

Volume: 17;
Issue: 2;
Start page: 225;
Date: 2009;
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ABSTRACT
Começa-se por situar brevemente a tradição da formação médica no ocidente, assinalando a dicotomia existente entre a formação académica e a prática clínica, sobretudo na cirurgia.Assinalamos a mudança que se verificou nessa formação a partir dos anos 70 do século XX com a implementação do paradigma da biologia molecular na Medicina. A formação passou a centrar-se nos componentes e estruturas intra-celulares, afastando-sede uma visão integradora de todas as dimensões do ser humano. Hoje assiste-se a um declínio de formação de competências de prática clínica, se compararmos com a formação médica ocidental até meados do século XX. A formação médica aposta forte na pesquisa científica, o que é certamente louvável, mas que tem vindo a trazer problemas sobretudo à relação médico-doente, e que se vêm agravando face ao enorme aumento de doentes crónicos que exige um contacto ao longo da vida entre profissionais de saúde e pacientes.Como reação a este estado de coisas, muitas universidades, em todo o mundo, introduziram na formação médica a área de Humanidades, expressão ampla que pode incluir desde a Ética e Deontologia médicas até matérias de literatura ou artes plásticas, por exemplo.O artigo caracteriza brevemente os três tipos mais usuais de inserção dasHumanidades em Medicina. Elas são enunciadas como: 1- existência uma matéria residual ligada às Humanidades em todo o curso de Medicina; 2- as Humanidades na Medicina; 3- humanidades na Medicina.Após a caracterização de cada uma delas, interroga-se qual aquela que realmente pode promover uma diferença substantiva na formação médica e quais aquelas que são uma farsa em relação a esse objetivo.Por fim, salienta-se que, mesmo as universidades que utilizam modelosintegradores das Humanidades em medicina, estão constantemente pressionadas a diminuir a importância dessa área formativa face ao desenvolvimento da pesquisa científica acerca da qual é necessário dar conta aos alunos nas áreas bioquímicas, porexemplo. Assinala-se como elemento mais frágil da permanência da formação humanista em Medicina a avaliação dos estudantes, que deverá manifestar continuidade com a avaliação das outras áreas.We begin by briefly situating the tradition of medical education in the West, noting the dichotomy between academic and clinical practice, especially in surgery. We note the change that occurred in medical education from the seventies of the twentieth century, with the implementation of the molecular biology paradigm inmedicine. The training has become focused on components and intra cellular structures, moving away from an integrated view of all human dimensions. Today we are witnessing a decline in skills of clinical practice training, in comparison with Western medical training until mid-twentieth century. The medical betting on scientific research, which is certainly commendable, has been causing, nevertheless, problems especially in the doctor-patient relationship; they have been worsening over the huge increase in chronic illnesses that require a lifelong contact between health professionals and patients.Reacting to this state of affairs, many universities around the world have introduced Humanities in medical training, broad term that can include everything from ethics and medical deontology to matters of literature or visual art, for example. The article describes briefly the three most common types of insertion of Humanities in Medicine. They are listed as: 1 - having a residual subject linked to the Humanities in the entire course of medicine; 2 - the Humanities in Medicine; 3 - Humanities in Medicine. After characterizing each one, we wonder which could actually promote a substantive difference in medical education and which is a farce in relation to that goal.Finally, we note that even the universities that use integrating models of humanities in medicine, they are constantly pressured to reduce the importance of this learning area at the development of scientific research which is required to report students in biochemical areas, for example. It is noted as a more fragile permanence of humanistic education the assessment of medical students in that area, which should express continuity with other areas’ assessment.
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