Academic Journals Database
Disseminating quality controlled scientific knowledge

Em memória de Cecil Helman In Memory of Cecil Helman En memoria de Cecil Helman

ADD TO MY LIST
 
Author(s): Francisco Jorge Arsego Quadros de Oliveira

Journal: Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade
ISSN 1809-5909

Volume: 6;
Issue: 18;
Start page: 9;
Date: 2011;
Original page

Keywords: Memoria | Cecil Helman | Obituário | Antropologia

ABSTRACT
A Antropologia Médica e a Medicina de Família e Comunidade brasileiras perderam uma referência importante com o falecimento precoce de Cecil Helman, aos 65 anos de idade.Nascido na África do Sul, no seio de uma família de médicos, formou-se em Medicina naquele país, migrando logo após para a Inglaterra, onde trabalhou como General Practitioner vinculado ao National Health Service (NHS) por quase 30 anos.Desde cedo, interessou-se pela Antropologia Médica, vindo a realizar uma sólida formação acadêmica e assumindo uma posição de liderança mundial na área, sendo esse pioneirismo reconhecido por meio de importantes prêmios.Helman era um apaixonado pelo Brasil e exerceu grande influência na Antropologia Médica brasileira, especialmente a partir do seu principal livro “Cultura, Saúde e Doença”, publicado em 1984 – a primeira edição brasileira foi publicada dez anos após. Com certeza, essa é a sua obra mais conhecida, com traduções em várias línguas e que chegou à sua 5ª edição brasileira em 2009. É nesse livro que o autor esmiúça a relação dos aspectos culturais com o processo saúde-doença, conceito fundamental para uma prática em saúde que se pretenda efetiva e culturalmente sensível.Uma característica que marcou a sua carreira era a facilidade de transitar, como poucos, entre a antropologia médica e a prática médica em si, conseguindo estabelecer uma ligação entre esses dois campos do conhecimento e apontando, com clareza, a sua complementaridade. Isso explica como ele permaneceu militando de forma tão extraordinária nessas duas áreas por tanto tempo, colocando em prática o que ele próprio chamava de “antropologia médica clinicamente aplicada”.Essa característica ficou marcada também no seu livro, que buscava sempre explicitar essa relação por meio de inúmeros exemplos. Embora com conteúdo aprofundado, foi escrito de modo a propiciar uma leitura agradável, sendo adotado como referência bibliografia por inúmeros cursos teóricos e contribuído para tornar a Antropologia Médica mais acessível aos profissionais de saúde. Por outro lado, consegue igualmente mostrar a complexidade da prática em saúde também aos profissionais oriundos das Ciências Sociais.Helman parecia não se acomodar. Cada edição do livro continha novos capítulos, indicando a necessidade de estar em sintonia com o que acontecia ao seu redor e com as mudanças constantes do mundo atual. Isso explica, por exemplo, a inclusão, na última edição, dos capítulos sobre migração, telemedicina e internet.Helman esteve várias vezes no Brasil, país que admirava pela diversidade cultural e pelo rico trabalho desenvolvido pelos Médicos de Família e Comunidade junto à população. Participou de diversos eventos da nossa especialidade e desenvolveu projetos de pesquisa, tendo feito inúmeros amigos. Extremamente cordial e com uma voz mansa, sempre se mostrava curioso em ouvir a exuberância de aspectos culturais trazidos pelo público nas suas palestras.O seu último livro, The Suburban Shaman (publicado em 2004 e sem tradução para o português) é um fantástico relato semibiográfico de casos atendidos por ele durante a sua trajetória profissional. Coerentemente com a ideia defendida por Helman, de que a “arte médica é uma arte literária”, o livro reúne ótimos exemplos da essência da prática do médico de família, ou seja, conseguir estabelecer uma comunicação adequada com o paciente, simplesmente conseguir ouvi-lo em sua plenitude.A sua obra evidencia, de modo contundente, que a compreensão da “narrativa” de cada ser humano sob os nossos cuidados é o que torna possível colocar-se na posição do paciente e entender a sua história, a sua cultura, os seus “personagens”, o contexto em que estamos inseridos e o quanto esse conjunto é importante nas questões relacionadas à saúde e à doença.The Brazilian Medical Anthropology and Family and Community Medicine lost an important reference with the early passing of Cecil Helman, at the age of 65.Born in South Africa, amongst a family of doctors, he graduated in Medicine there, and then migrated to England, where he worked as a General Practitioner associated to the National Health Service (NHS) for almost 30 years.Early on, he was interested in medical Anthropology, accomplishing a solid aca­demic background and assuming a position of global leadership in the area, being a pioneer recognized through important awards.Helman was passionate about Brazil and had a big influence in the Brazilian medi­cal Anthropology, especially from his main book “Culture, Health and Illness”, pub­lished in 1984 – the first Brazilian edition was published 10 years later. Certainly, this is his best known work, translated into many languages and that had a 5th Brazilian edition in 2009. It is in this book that the author scrutinizes the relationship of cul­tural factors with the health-disease process, a fundamental concept for a practice in health that intends to be effective and culturally sensitive.A characteristic that marked his career was that he could easily go from medical Anthropology to Medicine itself like no other, linking the two fields of knowledge and pointing out the complementarity of them. This explains how he remained militating in such an extraordinary way in both areas for so long, putting into practice what he called “Clinically Applied Medical Anthropology”.That characteristic of him was also marked on his book, which always pursued to explicit that relation through numerous examples. Although the book presents depth content, it was written in a way so the reading is pleasant, being used as bib­liographic reference by numerous theoretical courses and it has also contributed to make medical Anthropology more accessible to health professionals. On the other hand, it also illustrates the complexity of health practice to the professionals of social sciences.It seemed that Helman was never content. Each book edition came with new chap­ters, indicating the need to be in sync with what was happening around him and the constant changes of the current world. That explains, for instance, the inclusion of a chapter about migration, telemedicine and internet on the last edition of the book.Helman has been in Brazil many times, country which he admired for its cultural diversity and great work developed by the Family and Community doctors with the population. He participated in many events of our specialty and developed research projects, having numerous friends. Extremely friendly and with a soft voice, he was always interested in hear about the exuberance of cultural aspects brought from the audience on his lectures.His last book, The Suburban Shaman (2004), is a fantastic semi-biographical report of the cases he attended over his professional career. Consistent with the idea, Helman supported that “medical art is a literary art”, and the book gathers great examples of the essence of family doctors practice, in other words, the capacity to establish proper communication with the patient, simply listen to him/her copiously.His work shows in a poignant way that comprehending the “narrative” of each hu­man being under our care is what makes possible to put ourselves in the patients’ posi­tion and to understand their history, culture, their “characters”, the context in which we are inserted now and how important the combination of these points is to matters of health and disease.La Antropología Médica y la Medicina Familiar brasileña han perdido una referencia importante con el fallecimiento precoz de Cecil Helman, a los 65 años de edad.Nascido en África del Sur, en una familia de médicos, se recibió de medico en aquél país, migrando luego después para Inglaterra, donde trabajó como General Practitioner vinculado al National Health Service (NHS) por 30 años.Desde temprano, se interesó por la antropología médica, realizando una sólida for­mación académica y asumiendo una posición de liderazgo mundial en el área, pionero reconocido a través de importantes premios.Helman era un apasionado por Brasil y ejerció gran influencia en la antropología médica brasileña, especialmente a partir de su principal libro “Cultura, Salud y Enfer­medades”, publicado en 1984 -la primera edición brasileña se publicó diez años des­pués. Con seguridad, está es su obra más conocida, con traducciones en varios idiomas y que llegó a su 5ª edición brasileña en 2009. Es en este libro que el autor escudriña la relación de los aspectos culturales como el proceso salud-enfermedad, conceptos funda­mentales para una práctica en salud que se pretenda efectiva y culturalmente sensible.Una característica que marcó su carrera fue la facilidad de transitar, como pocos, en­tre la antropología médica y la práctica médica, logrando establecer una ligación entre eses dos campos del conocimiento y apuntando, con claridad, su complementariedad. Eso explica como él ha permanecido actuando de forma tan extraordinaria en estas dos áreas por tanto tiempo, aplicando lo que llamaba de “antropología médica clínicamente aplicada.”Esa característica quedó marcada también en su libro, que buscaba siempre expli­citar esa relación a través de numerosos ejemplos. Aunque con contenido profundo, fue escrito para proporcionar una lectura agradable, siendo adoptado como referencia bibliográfica por numerosos cursos teóricos y contribuido para hacer la antropología médica más accesible a los profesionales de salud. Por otro lado, consigue igualmente mostrar la complejidad de la práctica en salud también a los profesionales oriundos de las ciencias sociales.Helman no se acomodaba. Cada edición del libro contenía nuevos capítulos, indi­cando la necesidad de estar en sintonía con lo que pasaba en su alrededor y con los cam-bios constantes del mundo actual. Eso explica, por ejemplo, la inclusión, en la última edición, de los capítulos sobre migración, telemedicina e internet.Helman estuvo varias veces en Brasil, país que admiraba por la diversidad cultural y por el rico trabajo desarrollado por los médicos familiares junto a la población. Par­ticipó de diversos eventos de nuestra especialidad y desarrolló proyectos de pesquisa, habiendo hecho varios amigos. Extremamente cordial y con una voz mansa, siempre se mostraba curioso en oír la exuberancia de aspectos culturales presentado por el público en sus palestras.Su último libro, The Suburban Shaman (publicado en 2004 y sin traducción a portu­gués) es un fantástico relato semi-biográfico de casos atendidos por él en su trayectoria profesional. Coherentemente con la idea defendida por Helman, de que el “arte médica es un arte literaria”, el libro reúne excelentes ejemplos de la esencia de la práctica del médico familiar, es decir, lograr una comunicación adecuada con el paciente, simple-mente conseguir oírlo en su plenitud.Su obra evidencia, de modo contundente, que la comprensión de la “narrativa” de cada ser humano debajo los nuestros cuidados es los que torna posible ponerse en la posición del paciente y entender su historia, su cultura, y sus “personajes”, el contexto en que estamos inseridos y lo cuanto ese conjunto es importante en las cuestiones rela­cionadas a la salud y la enfermedad.
Save time & money - Smart Internet Solutions     

Tango Rapperswil
Tango Rapperswil