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PERCEPÇÃO AMBIENTAL NA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL DE MACAÉ DE CIMA: PERSPECTIVAS PARA O ECOTURISMO

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Author(s): Aurea Pinheiro Rocha | Angelica Carvalho Di Maio | Leonardo Gama Campos

Journal: Revista Brasileira de Ecoturismo
ISSN 1983-9391

Volume: 4;
Issue: 4;
Date: 2011;
Original page

ABSTRACT
A Área de Proteção Ambiental de Macaé de Cima (APAMC), localizada no distrito de Lumiar em Nova Friburgo, RJ, criada em 2001, vem passando por conflitos devido ao choque de diferentes visões, quanto ao seu uso, desde sua implantação. Além disso, esta área enfrenta muitas transformações sócio-econômicas agravadas pela chegada do turismo e pela desvalorização das práticas agrícolas tradicionais. Os conflitos em relação ao uso da terra vêm demonstrando na região os interesses divergentes dos atores sociais envolvidos na implantação desta modalidade de unidade de conservação. O ator social que desponta nesse cenário ainda recente, são pessoas ligadas às atividades turísticas e que fortemente tem contribuído para mudanças da estrutura sócio-espacial, ligadas principalmente ao novo uso do solo. Baseando-se nos pressupostos de como o turismo vem interagindo e transformando antigas atividades econômicas e como vem se fortalecendo como uma nova atividade, com seus interesses, dificuldades e impactos busca-se analisar na pesquisa as questões socioambientais existentes na APAMC, através da percepção dos diferentes grupos de atores sociais (agricultores, turistas, conselho gestor da APA), orientadas ao ecoturismo. Os instrumentos da pesquisa foram entrevistas estruturadas e semi-estruturadas, recursos de imagens (oficinas, mapas mentais) e questionários com os atores envolvidos com APAMC, baseando-se nos métodos qualitativos de obtenção e interpretação dos dados. Na perspectiva da população local, a chegada do turismo representa uma nova possibilidade de renda frente à um declínio da agricultura da região. Entretanto, esse acelerado crescimento, numa localidade antes “acostumada” com o modo de vida tipicamente rural pode apresentar desafios em relação à infra-estrutura, além da própria inserção da população local nessas novas atividades. Os turistas, geralmente de passagem, não têm contato com a realidade da região, então querem o “espaço verde” como fonte de prazer e não de subsistência como os agricultores nativos, sendo os primeiros, indivíduos essencialmente urbanos. Os valores trazidos dos centros urbanos vão se mesclando com os valores tradicionais, sendo os últimos muitas vezes substituídos pelos primeiros. O planejamento do setor turístico na região ainda é insuficiente já que carece de diretrizes específicas, visto que o plano de manejo da APA ainda não foi terminado e os órgãos públicos responsáveis não atuam de maneira satisfatória. Há muitos problemas a serem superados para que uma verdadeira ação prática do ecoturismo possa fluir, principalmente quando se refere à infra-estrutura, que geralmente vem ser pensada depois que o fluxo turístico passa a acontecer, estes se refletem na falta de saneamento básico que vem comprometendo os rios, que representam um dos maiores atrativos turísticos da região. Outro fator importante que impede a fruição do turismo é a privatização e fechamento de muitas beiras de rio utilizadas para lazer de turistas e moradores de Lumiar. A regulamentação do setor turístico em nível nacional e regional precisa ser acompanhada pelo nível local para que os recursos turísticos (naturais, culturais e históricos) não sejam destruídos pela lógica do lucro imediato.

Tango Rapperswil
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