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Permanência das representações do gênero em sexologia: as inovações científica e médica comprometidas pelos estereótipos de gênero Permanence of gender stereotypes in sexology: when scientific innovations are challenged by traditional gender stereotypes

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Author(s): Alain Giami

Journal: PHYSIS
ISSN 0103-7331

Volume: 17;
Issue: 2;
Start page: 301;
Date: 2007;
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Keywords: estereótipos | gênero | sexualidade | tratamentos farmacológicos | medicina sexual | stereotypes | gender | sexuality | pharmacological treatments | sexual medicine

ABSTRACT
Numerosas mudanças surgiram no domínio da pesquisa em sexologia, notadamente no que concerne à função e disfunções sexuais e seus tratamentos. A disfunção erétil foi reconceitualizada como uma disfunção com origem orgânica, uma transformação em relação às abordagens anteriores acerca da impotência psicogênica, desenvolvidas nos anos 1960 e 1970. Essa mudança se baseia em muitas descobertas científicas e no avanço farmacológico realizado sob influência de urologistas norte-americanos. A disponibilização no mercado do sildenafil, em 1998, acionou novos tipos de tratamentos, centrados na atividade peniana. Os mesmos grupos de urologistas passaram recentemente a repensar as "disfunções sexuais femininas" segundo o mesmo modelo orgânico da função sexual. Novos produtos farmacêuticos estão em testagem clínica, tendo em vista a proposta de tratamentos da nova categoria de transtornos sexuais. A colocação no mercado do sildenafil não provocou reações contrárias às novas abordagens dos transtornos sexuais masculinos. Inversamente, o surgimento de novos conceitos da função sexual feminina suscita importantes debates. O British Medical Journal veiculou uma discussão, estabelecendo que a função sexual feminina não possuía origem orgânica, mas fundava-se em fatores psicológicos e relacionais da atividade sexual das mulheres. O debate centrou-se na "simplicidade" da sexualidade masculina, em oposição à "complexidade" da sexualidade feminina. Este artigo apresenta a analisa as novas concepções da função sexual masculina e feminina, e evidencia a permanência de estereótipos tradicionais da sexualidade masculina e feminina, e sua influência sobre as pesquisas científicas mais avançadas nessa esfera1.Major changes have occurred in male and female sexual function/dysfunction research and treatments. Male erectile dysfunction has been re-conceptualized as an organic dysfunction, which marks a dramatic shift from previous conceptions of psychogenic impotence developed during the 60' and the 70's. This shift is based on major scientific discoveries, and pharmacological advances that took place since the early 80's under the influence of North American urologists. The release of sildenafil in 1998 was the corner stone of a new paradigm of treatments focusing on male penile activity, far remote from any psychological approaches. More recently, the same group of urologists started to reconsider Female Sexual Dysfunction using the same organic/biological model of sexual function. New pharmaceutical products are currently under trial for the treatment of this new category of female sexual disorder. But as opposed to the absence of public adverse reaction to the development of this approach of male function, many voices raised to oppose this new conception of female function. A major discussion took place in the British Medical Journal stating that female sexual function was not organically driven, but rather determined by the social, psychological and interpersonal context of female sexual activity and relations. One of the major dimensions of this discussion opposed the so-called "simplicity" of male sexual function to the "complexity" of female sexual function. This paper demonstrates the permanence of traditional social scripts of male and female sexuality and their influence in the most advanced scientific research in this field.
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