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Psicanálise modernista no Brasil: um recorte histórico Modernist psychoanalysis in Brazil: a historical approach

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Author(s): Cristiana Facchinetti

Journal: PHYSIS
ISSN 0103-7331

Volume: 13;
Issue: 1;
Start page: 115;
Date: 2003;
Original page

Keywords: Brasil | história | psicanálise | modernismo | Brazil | history | psychoanalysis | modernism

ABSTRACT
O presente artigo partiu do pressuposto de que o discurso psicanalítico é sempre apropriado por um intérprete que se filia a uma tradição histórica e cultural. Nesta perspectiva, a produção de subjetividade, que tem lugar na clínica psicanalítica, será marcada por essa tradição privilegiada pelo analista. Assim, julgou-se de grande relevância a investigação das vias discursivas de entrada da psicanálise no Brasil, indicando os pontos de ancoragem da mesma na cultura e na história locais. Com este intuito, traçou-se o processo de urbanização e modernização do Brasil no início do século XX e a entrada da psicanálise em um campo de forças divergentes. Encontrou-se um embate pela hegemonia discursiva entre duas leituras que se constituíram como antagônicas e inconciliáveis, e que levaram a dois modos distintos de uso instrumental da psicanálise: de um lado, o discurso psiquiátrico-higienista, com sua leitura reformista e universalizante da psicanálise; de outro, o discurso da vanguarda modernista, com a leitura da subversão dos códigos estabelecidos e da busca de singularidade. Ambos se constituíram no rastro da busca de forjar o brasileiro que se desejava. Este trabalho percorre o viés da psicanálise modernista, com sua utilização singular para a análise da cultura e das subjetividades, bem como sua função de construção de novos mundos.The current article's basic premise is that psychoanalytic discourse is always appropriated by an interpreter thereof who belongs to a historical and cultural tradition. From this perspective, the production of subjectivity in psychoanalytic practice is marked by the analyst's prime tradition. Thus the major relevance of investigating the discursive routes by which psychoanalysis entered Brazil, identifying its anchoring points in local culture and history. The article thus outlines the urbanization and modernization process in early 20th-century Brazil, together with the entry of psychoanalysis in a field of divergent forces. What occurred was a struggle for discursive hegemony between two antagonistic and irreconcilable readings: on the one hand, psychiatric-hygienist discourse with its reformist and universalizing reading of psychoanalysis; on the other, that of the modernist vanguard, with a reading that subverted established codes in the pursuit of singularity. Both were constituted in the wake of a quest to forge what was viewed as the desired Brazilian. This study covers the modernist psychoanalytic bias, with its unique utilization in the analysis of culture and subjectivities, as well as its role in the construction of new worlds.
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