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Um toque de voyeurismo A touch of voyeurism

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Author(s): Márcio Couto Henrique

Journal: PHYSIS
ISSN 0103-7331

Volume: 15;
Issue: 2;
Start page: 285;
Date: 2005;
Original page

Keywords: Diário íntimo | sexualidade | Couto de Magalhães | intimidade | Personal diary | sexuality | Couto de Magalhães | intimacy

ABSTRACT
Por muito tempo, duvidou-se da possibilidade de se penetrar na história íntima dos brasileiros de séculos passados através da leitura de seus diários, tidos como inexistentes. Entretanto, pesquisas mais recentes têm demonstrado que essa vontade de se revelar aos outros através da escrita de diários e de outros registros íntimos também existiu no Brasil do século XIX. Neste artigo, consideramos que a insuficiência ou a falta de visibilidade dos diários íntimos no Brasil é, em grande parte, resultado de escolhas efetuadas por nossos antepassados, que muitas vezes optaram por destruir seus registros íntimos para não correrem o risco de ter sua vida devassada pela curiosidade alheia. Ou ainda escolhas de arquivistas e pesquisadores, que por muito tempo se recusaram a conferir a esse tipo de documentação o status de fonte histórica. Mais especificamente, analisamos o diário de José Vieira Couto de Magalhães (1837-1898), importante político e intelectual do Brasil do século XIX, procurando perceber até que ponto, ao comunicar-se para si mesmo, o autor também comunica um pouco do mundo em que vivia ou como se relacionava com esse mundo. Referente ao período de permanência do autor em Londres (1880-1887), o diário registra seu menoscabo pelas mulheres, seus sonhos eróticos homossexuais, seus cuidados com o corpo, seu pavor diante da possibilidade de adoecer, entre outros temas, o que constitui excelente oportunidade para evidenciarmos a legitimidade da sexualidade enquanto objeto de pesquisa e reflexão das ciências sociais.For years many have doubted whether it was possible to delve into the private history of Brazilians from previous centuries by reading their personal journals, considered nonexistent. However, recent research has demonstrated that the desire to reveal oneself to others by keeping diaries and other personal records also existed in Brazil in the 19th century. In this article we contend that the insufficiency or lack of visibility of diaries in Brazil resulted mainly from choice by our ancestors, who often opted to destroy such personal records to avoid having others shuffle curiously through their private lives. In other cases, archivists and researchers neglected to acknowledge and classify such documents as historical sources. More specifically, we analyze the diary of José Vieira Couto de Magalhães (1837-1898), an important 19th century Brazilian politician and intellectual, in the attempt to perceive to what extent the author's communication of himself also conveyed a little of the world in which he viewed himself, or how he related to it. Referring to the time he spent in London (1880-1887), the diary records his belittlement of women, his homoerotic dreams, his preening, his dread at the thought of falling ill, and other topics, thus constituting an excellent opportunity to highlight the legitimacy of sexuality as an object of research and reflection by the Social Sciences.
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